Na quarta-feira (20), na Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios, em
Recife (PE), ocorreu a cerimônia de formatura da primeira turma de
aprendizagem profissional, composta exclusivamente por egressos do
trabalho infantil. A ação é resultado do “Projeto de Erradicação do
Trabalho Infantil e Incentivo à Aprendizagem Profissional em
Pernambuco”, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em
Pernambuco (SRTE/PE).
Ao todo, o curso de assistente administrativo durou 24 meses, com
uma carga horária de 460h/a teóricas e 1.380 h/a de atividades práticas.
A turma foi formada por 19 jovens encontrados em situação de trabalho
precoce em feiras livres, no comércio informal, oficinas e lava-jatos
durante as ações fiscais de 2012. Na região metropolitana de Recife, 100
adolescentes resgatados do trabalho infantil já foram beneficiados
através da inclusão em programas de aprendizagem.
O superintendente Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco,
André Luz Negromonte, presente à solenidade, enfatizou que não se deve
antecipar o trabalho. “O lugar do jovem é na escola, para que possa se
qualificar e assumir postos mais altos quando chegar a hora certa do
trabalho”.
A coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Infantil da
SRTE/PE, Paula Neves considerou o momento “muito especial”. Para Neves,
o evento significou “a concretização de um sonho, um sonho de todos os
auditores fiscais em oferecer outros caminhos aos jovens retirados do
trabalho proibido”.
A coordenadora fez ainda um alerta para que os formandos só
“aceitem trabalho com a carteira assinada e a garantia de todos os
direitos”, disse ao finalizar: “A vida é cheia de luta e cada um de nós
tem a sua cruz, mas não deixem de lutar. Estou orgulhosa de vocês”,
concluiu.
O evento, também, foi prestigiado pelos docentes, colaboradores,
familiares e representantes das empresas que participaram da formação
dos jovens.
Resultados - Em Pernambuco, segundo os dados do
Sistema de Informações sobre Focos do Trabalho Infantil – SITI, de 2011 a
julho de 2014, foram encontrados 3.328 crianças e adolescentes em
situação de trabalho nos 119 municípios fiscalizados pelos AFT. No
total, foram 1.414 ações fiscais realizadas nesse período. As operações
priorizam as Piores Formas de Trabalho Infantil, sendo intensificadas
nas feiras livres, mercados públicos, praias, lava-jatos, oficinas,
borracharias, comércio ambulante, bares e casas de farinha.
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